Talvez o mundo lhe pareça um lugar cheio de estradas erradas. Nossa percepção da vida é influenciada por muitas variáveis, todas plausíveis. O reparo de nossa alma parece um trabalho eterno, sempre algo está fora do lugar. Mas não acredito que seja defeito de fabricação nascer assim “sem lugar”. Não falo de casa, cidade ou país. Falo de um lar para nossos sentimentos, desejos, sonhos, enfim, nosso ser. Ser é uma responsabilidade muito grande, mas não além da capacidade humana. Ser envolve escolhas, princípios e uma reconstrução constante de si perante a vida. Essa busca leva muitos ao desespero, mas esta busca leva. Fluir e fruir por este mundo é fundamental e as aflições de nossa alma é o que nos move. Algo que te mantém vivo, te mantém ansioso do futuro, não pode ser de todo mal. É que dói, eu sei, dói. Precisamos de um lugar que abrigue este nosso ser. Para alguns é a liberdade, para outros ainda que não pareça é a solidão, mas para todos em algum momento é a companhia. Zilhões de variáveis e eu venho repetir-me sobre a necessidade de se encontrar em outro. Mas não confunda com Amor, pois este é peça. A verdade é que em meio a essa lapidação do que se é, precisamos de descanso. Acredite, não há férias dentro do seu próprio corpo. Há muitas ruas sem saída, muitos sentimentos sem resposta, muita melancolia se misturando com os sonhos, muita mesmice no horizonte. Precisamos de outro que enxergue alguma vírgula diferente, algum alívio para todo universo que carregamos em nós. Precisamos renovar as forças de nossos ideais e rearranjar a harmonia da nossa paz. A construção desse lar é muito gratificante para se deixar pelos caminhos. Plenamente ser é incrível. Tudo que se precisa para continuar é um outro, é um corpo para descansar a alma. Talvez o mundo lhe pareça um lugar possível, todos os dias.Danilo Martinho
setembro 26, 2013
setembro 23, 2013
Só deseja um amor saudável, quem já viveu uma paixão dilacerante. Porque a paixão corroía tudo por dentro até tirar o fôlego, mas até a dor parecia bonita: aquele único instante de felicidade com o Outro compensava os trezentos outros de infelicidade. Só deseja ter um dia tranquilo, sossegado, quem tem a intensidade à flor da pele, quem acorda suspirando a vida, devorando o dia, se lambuzando de tudo sem conseguir tocar nas coisas com a ponta dos dedos. Só deseja constantemente a companhia das palavras quem escreve. Para estas, o silêncio nunca é mudo, é sempre uma possibilidade. Só consegue vislumbrar a paz quem se investiga, quem tem Consciência do que deseja e pode ou não obter, quem aprendeu a lidar com o imediatismo. A escrita ensina a esperar, a escutar a letra da música e depois a melodia, juntas e separadas. A escutar a história do Outro sem fazer intervenções antes da conclusão. A compreender que os espertinhos são aqueles que sempre vão terminar levando uma rasteira da própria ingenuidade, porque perderam a inocência. Só consegue acordar para a vida, quem viveu solitário e insone dentro de uma noite interminável e caminhou sonolento pelo resto do dia, quem perdeu o sol. Só consegue apreciar a nudez, quem não é vulgar. Quem percebe com naturalidade que um corpo é como uma árvore, que o seu ambiente é extensão do meio ambiente e que, juntos, ambos são um ambiente inteiro. Só julga acidamente os Outros o tempo todo quem é recalcado. Quem se aprisionou na ideia do que é ridículo e não consegue suportar um ser autêntico. Só consegue ser irônico, quem é inteligente. Só consegue ser doce, quem já foi ferido e curado pela espiritualidade. Só consegue o que quer os que têm desejos justos. E acreditam.Marla de Queiroz
setembro 16, 2013
Porque é diante das situações mais corriqueiras que elas se revelam: de maneira sorrateira, inquestionável, absolutamente deslumbrante e surpreendente. Elas: as delicadezas da vida. Que, vez ou outra, nos pegando de surpresa, nos faz questionar: ”O que é isso, que me faz sorrir tanto?”
Aghata Paredes
setembro 15, 2013
Nada. Estou pensando em inúmeras coisas, mas minto que não estou pensando em nada específico, apesar da minha atenção estar de malas para Júpiter. Não posso dizer com o que estou ocupando minha cabeça porque as pessoas iriam apenas fingir um interesse cansado, rápido e bucólico. Soltar um confidencial “nada” é sempre melhor em casos obsessivos como o meu. Mas você quer a verdade? Óquei. Estou pensando que, de toda forma, o que estou fazendo aqui, senão me distraindo? Já ouvi dizerem que tudo isso, inclusive o que chamamos de amor, é só recreação e é verdade, amor é só entretenimento. O melhor entretenimento.Gabito Nunes
setembro 02, 2013
mystereothoughts
Eu sinto em cada pedaço do meu dia a vontade de te ter por perto. Eu consigo ver em cada lugar que eu vou algo que eu gostaria de dividir contigo, de sorrir contigo, de lembrar da gente. Tomou conta. Tomou conta do meu coração, meus pensamentos, sentimentos, de mim. É assustador quando a gente encontra alguém capaz de nos fazer mudar os planos, de jogar tudo pro alto e ir pra onde aquela pessoa for capaz de nos levar. E é assim que eu me sinto. Como se qualquer escolha valesse a pena simplesmente porque inclui você. E vale. E eu já não sei pensar diferente, eu já não lembro de ter sido tão feliz como sou quando estou do teu lado. Te ter, ter a tua companhia, teu carinho, teus abraços, teu apoio, tuas palavras, é muito mais do que eu pensei que qualquer pessoa um dia pudesse ser, significar. E qual seria teu significado? Talvez sabendo fosse menos complicado de entender. Entender de que forma entrou na minha vida e mudou, tudo. E melhorou, tudo. E é, tudo.
agosto 29, 2013
agosto 27, 2013
agosto 19, 2013
agosto 15, 2013
Acho tão bonito casais que duram. Não importa o tempo, o que vale é a intensidade. Querer estar junto vale muito mais do que estar junto há 20 e tantos anos só por comodidade. Sei que estou falando obviedades, mas hoje vi um casal de velhinhos na rua. Acho que o amor, quando é amor, tem lá suas dores bonitas. A gente vê uma cena e o coração fica emocionado. Nos dias de hoje, com tanta tecnologia, com tanta correria, com tanta falta de tempo, com tanto olho no próprio umbigo e nos próprios problemas, com tanta disputa pelo poder, pelo dinheiro, por ter mais e mais, sei lá, acho bonito ver um casal de velhinhos na rua. A mão, enrugadinha, segura a outra mão. A outra mão, por sua vez, segura uma bengala. Falta equilíbrio, sobra experiência. Falta a juventude, sobra história para contar. Falta uma pele lisa, sobram marcas de expressão que contam segredos. Envelhecer não é feio. Em tempos de botox, a gente devia olhar um pouco para dentro. De si. Do outro. Do amor.Clarissa Corrêa
Se eu gosto dessa vida? Ah, vamos lá. É só um trabalho. Você gosta do seu? Não tem dias que você quer sair correndo e nunca mais voltar? Você está a fim de fazer isso que você faz para o resto de seus dias? Às vezes você não sente que está empurrando tudo com a barriga? Nossas realidades não são muito diferentes nesse ponto. Eu também estou atrás da felicidade, sinto falta dela, mesmo achando que nem sei o que é.Gabito Nunes
agosto 12, 2013
mystereothoughts
Às vezes eu penso se em algum momento eu já não terei mais o que escrever sobre ela, porque me sinto sendo pega de surpresa toda vez. É um sorriso mais bonito, um gesto mais marcante, uma palavra mais reconfortante, ela é sempre mais. E eu quero que continue assim. Assusta sentir que já ultrapassou todos os limites seguros quando se trata de gostar de alguém, e a cada dia, a cada encontro, percebe que se gosta mais. Assusta, mas é tão bom. Tão bom ter com quem contar, quem dar bom dia e boa noite, quem se importa em saber o que você está fazendo e percebe no tom da sua voz, nas palavras um pouco mal ditas que tem algo de errado. Tão bom se sentir conhecido por alguém, notado, fazer diferença. E é por isso que eu não me conformo em não te-la por perto todo dia, em desperdiçar tempo, não aproveitar a pessoa incrível que ela é, sempre. É diferente. É bom. E eu não sei dizer ao certo quando começou, eu só espero ficar sem saber se tem fim.
agosto 09, 2013
agosto 08, 2013
Juliete Nunca Mais
Na última vez que atendeu minha ligação a conversa não foi muito longe, e acabou com ela perguntando “Você acha mesmo que ainda pode me fazer feliz?” e eu dizendo “É claro que não, mas isso nunca nos impediu de ficar juntos”. No fim, acabou dizendo que lamenta muito, porém não pode mudar quem eu sou. Não deu tempo de dizer, porque ela desligou na minha cara e tudo, só que mal sabe ela que é isso mesmo que qualquer rapaz na minha condição precisa. E para quê serve ter uma namorada, senão para consertar um homem? Fazê-lo parar de sair, de gastar, de fumar, de desferir cantadas horrorosas num bar imundo, já às sete da noite, quando deveria estar fazendo algo produtivo para a sociedade, como plantar árvores, separar lixo ou manter as crianças longe de entorpecentes, ou sei lá eu o que fazem os homens úteis nas quintas-feiras.Gabito Nunes
agosto 05, 2013
Tem horas que tudo que a vida faz é nos empurrar para bem longe. E o que o a gente faz? A gente vai. A gente vai atrás do que a gente nem sabe direito o que é. A gente sai correndo, esquece de tudo, esquece de todos, até chegar lá… Porque é justamente lá, no meio do nada, embrenhado naquele silêncio que parece que corta a gente ao meio. É só lá que a gente consegue ter na nossa cabeça, finalmente, aquela clareza que a gente tanto procurava sem saber.
agosto 01, 2013
julho 27, 2013
Eu sou a minha melhor crítica, e também a mais severa. Sei o que é bom e o que não é. Uma pessoa que não escreve, não sabe o quanto é maravilhoso; eu costumava me lamentar por não saber desenhar, mas agora estou cheia de alegria por ao menos saber escrever. E, se não tiver talento para escrever livros ou artigos de jornal, posso escrever só para mim. Mas quero mais que isso. Não me imagino ser igual aquelas mulheres que trabalham, e são esquecidas. Preciso de ter mais alguma coisa a que me dedicar. Não quero ter vivido em vão como as outras pessoas. Quero ser útil para as pessoas,mesmo aquelas que não conheci. Quero continuar a viver depois da morte.O Diário de Anne Frank
julho 24, 2013
mystereothoughts
Paro pra pensar e me dou conta que é totalmente justificável o medo que eu sinto de perder todos que me fazem bem, me deixam feliz. Nada que é bom fica comigo. Eu tenho sido obrigada a me acostumar com despedidas inesperadas, ou pior, a nem ter a chance de me despedir. Quando alguém é importante pra nós, não importa quantas vezes digamos que a queremos por perto, não é o suficiente. Se quiser ir embora, vai, e o que se pode fazer a respeito? Pedir, implorar, outra ideia daquelas que se tem em vão? Ninguém pertence a ninguém e as coisas e as pessoas, mudam. Uma hora ou outra vai ir, porque quer, porque tem que ir. E eu já não espero, e eu já não me entristeço. Porque é o tipo de tristeza que se engole, é o tipo que consome - mas por dentro. Eu tenho medo da mudança, medo da perda, medo de tudo que afete a pontinha de felicidade que me faz sorrir todos os dias, mas eu não tenho as palavras certas pra fazer alguém ficar e também não tenho nada de muito bom pra oferecer. Então, eu espero. Espero de esperança. Esperança que não tenho.
julho 22, 2013
Na vida, quem não acontece, anoitece. Eu não fui lido do outro lado por isso deitarei o sol aqui mesmo desse. Azar da sombra de alguém que me lesse. Deitarei o sol do mesmo lado que ele acorda. Se isso faz de mim um deus, ou um demônio, não sei, não importa. Sei que sou um homem incompleto, mas que transborda. A vida engana. Às vezes a mão engasga e a boca esgana. A morte é sorte, o azar é zamba. A voragem de Deus te cega, e a coragem do diabo nega o Sol que lhe tampa. O ócio emprega. O negócio grampa. A perda une, a vitória pune. E na vitrola a canção é fúnebre e o silêncio é o que zune ensurdecendo homens impunes. A vida implume. A morsa é mansa, mas n’água avança contra a bonança. A vida cansa. Às vezes porque a dança já não é dança. Porque a moça almoça o prato dos dias frios. E o poema empoça. Já não é rio. Nem de Janeiro a março, abril. A prostituta é quem mais luta contra a mãe puta que lhe pariu. E na labuta, alguém comanda. E no descanso, a propaganda. Que vida bosta por estas bandas. E a perna grossa da moça roça uma na outra enquanto ela anda. E nada muda. A vida passa. O tempo gruda. Não quero o agora, quero a agonia da teoria e não da prática das desgraças plásticas do dia a dia. A vida corre. E morre. Enquanto a morte leva somente a aporia. Que fique a praça, que fique a gente. Naquela greve. Que fique a gente. Naquela neve. E o never change, e o never coming. My E.E. Cummings, quis ser poeta, mas sou poente.Bruno Villela
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