abril 23, 2013

Você quer ter certeza de tudo: que gosto de você, que vai dar certo, que vai ser pra sempre.. é tão sem graça ter certeza. vem, sem saber.
Soulstripper


Dizem que a gente tem o que precisa. Não o que a gente quer. Tudo bem. Eu não preciso de muito. Eu não quero muito. Eu quero mais. Mais paz. Mais saúde.Mais dinheiro. Mais poesia. Mais verdade. Mais harmonia. Mais noites bem dormidas. Mais noites em claro. Mais eu. Mais você. Mais sorrisos, beijos e aquela rima grudada na boca. Eu quero nós. Mais nós. Grudados. Enrolados. Amarrados. Jogados no tapete da sala. Nós que não atam nem desatam. Eu quero pouco e quero mais. Quero você. Quero eu. Quero domingos de manhã. Quero cama desarrumada, lençol, café e travesseiro. Quero seu beijo. Quero seu cheiro. Quero aquele olhar que não cansa, o desejo que escorre pela boca e o minuto no segundo seguinte: nada é muito quando é demais.
Caio Fernando Abreu 
– Eu vou pra casa.
– Óquei.
– Contra minha vontade...
– Óquei.
– ...mas vou.
– Óquei.
– Porque eu tenho que ir...
– Óquei.
– ...e não porque eu quero.
Gabito Nunes 

abril 18, 2013

Tem dias que não estamos pra samba, pra rock, pra hip-hop, e nem pra isso devemos buscar pílulas mágicas para camuflar nossa introspecção, nem aceitar convites para festas em que nada temos para brindar. Que nos deixem quietos, que quietude é armazenamento de força e sabedoria, daqui a pouco a gente volta, a gente sempre volta, anunciando o fim de mais uma dor – até que venha a próxima, normais que somos.
Martha Medeiros 
Sei lá menina, tá tudo tão legal, e um legal tão batalhado, um legal merecido, de costas e pernas doendo, mas coração tranquilo. Não puxo saco de ninguém, detesto que puxem meu saco também. Não faço amizades por conveniência, não sei rir se não estou achando graça. Odeio dois beijinhos, aperto de mão, tumulto, calor, gente burra e quem não sabe mentir direito. Então uma voz que eu não ouvia há muito tempo, tanto tempo que quase não a reconheci (mas como poderia esquecê-la?), falou meu nome. Quando você ainda nem entendeu direito o que aconteceu, ou o que não aconteceu, (...) vem alguém de repente e te dá um soco no estômago. Veja só que coisa mais individualista elitista, capitalista, só queria ser feliz, cara. Não, não sei o que gostaria que você me dissesse. Dorme, quem sabe, ou está tudo bem, ou mesmo esquece, esquece. Bem que podia ser agora, um amor novinho em folha. Quem procura não acha. É preciso estar distraído e não esperando absolutamente nada. Não há nada a ser esperado. Nem desesperado.
Caio Fernando Abreu 

abril 17, 2013

Gostaria de fazê-la sentir (e não só ela, mais todo mundo) que não preciso de ninguém. Mas não adianta: um dos meu males é ter medo de magoar as pessoas. Não precisar de ninguém… E há pouco me queixava de solidão. Eu não me entendo mesmo.
Caio Fernando Abreu 
Em tempos em que quase ninguém se olha nos olhos, em que a maioria das pessoas pouco se interessa pelo que não lhes diz respeito, só mesmo agradecendo àqueles que percebem nossas descrenças, indecisões, suspeitas, tudo o que nos paralisa, e gastam um pouco da sua energia conosco, insistindo.
Martha Medeiros

abril 16, 2013

Porque, francamente, tem hora que cansa viver rodeado de arranha-céus, com trânsito congestionado, com pessoas óbvias, com conversas inúteis estando tão distantes de mares, lagos e montanhas. Todo dia a gente perde um pouquinho da nossa identidade por causa de medos padronizados e cobranças coletivas. Antes de descobrir qual é a nossa turma - seja a turma dos bem sucedidos, dos deslocados, dos espertos - é bom estar agarrado ao que nos define, e isso a gente só vai descobrir se estiver em contato com nossos sentimentos mais primitivos. Não é preciso ir ao Alasca, não é preciso radicalizar, mas manter-se fiel à nossa vontade já é meio caminho andado.
Martha Medeiros
Não morro de amores por pessoas sem mistério, quando se é muito transparente, muito risonho e educado é raro ser levado a sério. Prefiro os mais silenciosos, os que abrem a boca de menos, os mais serenos e mais perigosos. Aqueles que ninguém define e que sempre analisam os fatos por um novo enfoque. Prefiro os que têm estoque aos que deixam tudo à mostra na vitrine.
Martha Medeiros  

abril 15, 2013


Confesso que ando muito cansado, sabe? Mas um cansaço diferente…um cansaço de não querer mais reclamar, de não querer pedir, de não fazer nada, de deixar as coisas acontecerem. Confesso que às vezes me dão umas crises de choro que parecem não parar, um medo e ao mesmo tempo uma certeza de tudo que quero ser, que quero fazer. Confesso que você estava em todos esses meus planos, mas eu sinto que as coisas vão escorrendo entre meus dedos, se derramando, não me pertencendo. Estou realmente cansado. Cansado e cansado de ser mar agitado, de ser tempestade… quero ser mar calmo. Preciso de segurança, de amor, de compreensão, de atenção, de alguém que sente comigo e fale: Calma, eu estou com você e vou te proteger! Nós vamos ser fortes juntos, juntos, juntos. Confesso que preciso de sorrisos, abraços, chocolates, bons filmes, paciência e coisas desse tipo. Confesso, confesso, confesso. Confesso que agora só espero você.
Caio Fernando Abreu 

abril 13, 2013

Me dou conta de que estou numa fase de negação, quando pela primeira vez tudo parece que pode funcionar entre nós. Eu me sinto como aqueles caras que morrem soterrados de frio após planejarem anos escalar o Everest, ou aquelas pessoas que esperam décadas sua banda predileta desembarcar na cidade e aí não conseguem ingresso. Não estou preocupado com a possível frequência alarmante de sua presença. Mas com as noites que ela resolver não vir. É por isso que espero devolução da minha chave, do controle sobre mim mesmo. Não quero gastar minhas horas e créditos telefônicos querendo saber se hoje ela vem ou não.
Gabito Nunes 
Vou te dizer, Juliete não é bolinho, que garota mais dificultosa, ô personalidade, vai ter temperamento assim na China ou no Canadá, mas não nos dois trópicos ao mesmo tempo, em tão curto espaço de minutos. Numa noite ela estava oscilando tanto entre humores que iam do picante ao adocicado que sua bipolaridade foi o mais próximo que já cheguei de um ménage à trois. Mas, sei lá. Se eu não brigasse com ela todos os dias eu ficaria em casa sozinho, lutando contra mim mesmo, de toda forma. É bom ter com quem bater-boca. Você se sente quentinho por dentro, parece até que as coisas importam.
Gabito Nunes

abril 10, 2013

mystereothoughts

Logo eu que sempre tive o dom de não me importar. Que ouvia dos meus amigos constante indignação por ser capaz de não deixar me abater. Esquecer rápido. Não deu, não quero. E agora nem consigo lembrar de como é poder escolher. Não me sinto mais racional a ponto de colocar as coisas em uma balança e decidir se vale a pena, se pode mesmo dar certo. Eu até tento, mas é completamente em vão. Eu estou no meio do caminho, querendo mais do que qualquer coisa que tudo continue bem. Já não posso mais pensar se vai valer a pena, eu só quero dar o máximo pra que isso aconteça - continue acontecendo - do jeito mais bonito que puder. Me peguei algumas muitas vezes assustada com minhas reações, angústias e saudades. Tornou-se difícil lembrar de todas aquelas coisas que me faziam dizer com convicção: "não pode ser". Mas honestamente, já é. E eu acredito que foi desde as primeiras conversas - tua primeira frase já me fez sorrir. Eu consigo ver um vazio só de imaginar meu dia sem tuas mensagens, sem tuas chatices, sem a irritação toda que tu me causa acompanhada dos sorrisos bestas que eu já nem lembrava como eram. O tempo tem passado e cada vez mais eu percebo que não tinha como não acontecer. Eu só quero que tudo continue sendo assim, feliz. "Tudo que é  mas eu deixo  pro lado. Tudo que é mais, é você. Mais alegria, por exemplo." 
Existem momentos na vida da gente, em que as palavras perdem o sentido ou parecem inúteis e, por mais que a gente pense numa forma de emprega-las, elas parecem não servir. Então a gente não diz, apenas sente.
Freud

abril 09, 2013


Sou dessas que não entende indiretas. Que não percebe as coisas a sua volta, o que está bem na sua cara. Sou desligado, desleixado. Presto atenção em quase nada. Desculpa o meu jeito, a minha falta de jeito.
Querido John
Eu tinha — e tenho — um monte de coisas pra te dizer, aquelas coisas que a gente cala quando está perto porque acha que as vibrações do corpo bastam, ou por medo, não sei.
Caio Fernando Abreu 
E era por isso que ela gostava daqueles abraços. Os apertados. Porque era ali. Era ali que ela encontrava tudo o que havia de mais bonito.
Caio Fernando Abreu